Assisti no último domingo a versão de Fernando Meirelles para o cinema do livro de José Saramago, “Ensaio sobre a cegueira”. Creio que a versão filmada é, tal qual o filme, angustiante e propositalmente angustiante.
O filme trata de uma população ficando cega, sem motivo aparente, e o sofrimento que esta cegueira os causa. Afastados da sociedade, têm que viver à margem do mundo, criando suas próprias regras e adaptando-se à uma realidade nova que se cria ao redor.
“Ah, muito triste este filme”, ouvi de alguém na saída da sala. E não era para ser? Claro que o era! A película não trata tão somente do ato físico de ficar cego, ou das dificuldades que o cego encontra, estando ou não rodeado de pessoas que sofrem do mesmo problema. O filme mostra as várias formas de cegueira. O cego que é super-homem, por assim o ser desde pequeno; o cego feliz, pois só assim consegue viver igualitariamente em sociedade; e até o cego que enxerga, pois ali foi por água abaixo o ditado que diz que “em terra de cego, quem tem olho é rei”. Ora, ali naquele meio, quem enxerga vira líder, mas vira mártir, presenciando todas as mazelas ao redor. Sofre talvez até mais, em dobro.
O filme escancara lados dos seres humanos que não costumam ser mostrados na tela grande. Por isso é angustiante. Não é por acaso a reação do autor do livro ao assistir sua obra transformada em filme, podendo ser vista como realidade.
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Existe elogio maior que este?